História

Paulo Vogel

A história de uma família é uma forma de registrar um período da história da humanidade, sua cultura, seu modo de vida, seus valores. Esta é a razão de fazer uso deste espaço para contar um pouco sobre os descendentes do imigrante alemão Joseph Vogel.

E com ajuda da fotografia, uma presença forte na minha vida, vou mostrar a Petrópolis em que meus tataravós, bisavós, avós e pais viveram.

Os primeiros Vogel (Philipp, Ernest, Heinrich) chegaram ao Brasil entre 1826 e 1831 e eram militares contratados para formação do Exército Imperial.

Passeando pelo interior da França em junho/2012, encontrei um "profissional dos brazões de família" num espaço de pouco mais de 1 metro quadrado oferecendo serviços de pesquisa por 20 euros. Eis o resultado:

Brazão da "Famille Vogel".
Em alemão, Vogel significa pássaro.

Alguns dados a mais você pode ter no link a seguir mas existem outras fontes se você pesquisar no Google: http://brasil--historia.blogspot.com.br/2009/11/estrada-de-ferro-de-petropolis-1854.html


João Klinkhammer, casado com Maria Vogel, e uma funcionária da confeitaria em foto tirada na virada do séc. XIX para XX..
Tenho pouca informação da região de origem de meus antepassados. Meu tataravô, Joseph Vogel, viveu na região de Wiesenthal (Baden), sudeste da Alemanha, e, anos mais tarde, minha bisavó, Catharina Ubertina Vogel, veio da região de Aachen, extremo noroeste da Alemanha.
Catharina Ubertina Vogel (nata Berners), mãe de meu pai.

Joseph Vogel, com 49 anos e já viúvo, embarcou rumo ao Brasil no dia 25 de abril de 1861, curiosamente 2 dias depois da morte de seu pai, Martin Vogel, então com 79 anos. Joseph emigrou trazendo seus 5 filhos: August (19), Maria Catharina (18), Hieronymos (16), Valentin (14) e Anna (7). As famílias Vogel, Sutter, Zoz, Meier, Bader e outras, todas católicas, viajaram por cerca de 60 dias na 3ª classe do navio Franklin até o Rio de Janeiro, onde ficaram por mais alguns dias ("comendo feijão preto duas vezes por dia") até o governo brasileiro providenciar um barco à vela que os levou ao destino - o vale do Itajaí, Santa Catarina - onde chegaram em 18/07/1861 para se estabelecerem como colonos.

Em 1867, dois filhos de Joseph casaram com filhas de Sebastian Zoz. August, meu bisavô, casou com Bárbara. Em 1889, August, já com 10 filhos, viajou de barco por 4 dias rumo ao Rio de Janeiro, mas em 1892 todos foram para Petrópolis.

Em 1899, Maria Vogel, irmã de meu avô Augusto (2 dos 10 filhos de August) , então com 23 anos, se casa com Johan Klinkhammer (mas conhecido por João). Foi Maria  Vogel quem, no ano anterior (1898), havia fundado a Padaria e Confeitaria Alemã (mais tarde, depois da guerra, mudou de nome par Padaria e Confeitaria Petrópolis, mas passou a ser conhecida como "ex-alemã"). Maria teria começado fazendo pão em casa e vendendo de porta em porta usando um carrinho de mão.

Certidão de casamento de João Klinkhamer e Maria Vogel.

Forçados por acontecimentos desagradáveis durante a primeira guerra mundial, mudam o nome para Padaria e Confeitaria Petrópolis, mas a referência "Antiga Padaria Alemã" foi mantida.

João, Maria e um empregado à frente da confeitaria na virada do século, na Av. XV de Novembro, 388, hoje (2012) Avenida do Imperador.

Minha bisavó Bárbara faleceu em 1908 e meu bisavô August, em 1917.

Folha do bloco de encomendas. Década de 1910.
Registro da marca de torrada "Fatias da Rainha".
Augusto Vogel casou com Catharian Ubertina em
  


Meu pai, Joaquim Paulo Vogel aos 7 meses. Foto feita em estúdio para ser enviada aos amigos
e parentes com uma mensagem de fim de ano.



Minha avó Catharina faleceu 6 meses após o nasimento de meu pai. Viúvo, meu avô Augusto, com 7 de seus 9 filhos, faz o trajeto inverso de seu pai August e volta para Blumenau. A foto abaixo foi tirada às vésperas da viagem. Pedro, o mais velho, já tinha ido viver no Rio Grande do Sul e meu pai é o única deixado para ser cuidado por 3 tias (irmãs de meu avô).


Meu avô Augusto com 8 de seus 9 filhos.
Meu pai está no colo de Ana.
Meu pai dizia, sem qualquer mágoa ou tristeza, que ele fora criado por 3 dias, cada uma cuidando de um jeito: a tia das palmadas,  Maria a tia do dinheiro, e Madalena a tia do carinho.


Teresia, a "tia das palmadas", com os 3 sobrinhos (irmãos) mais novos:
Joaquim no colo, Luiz à frente e José atrás.


Esta foto foi feita no terraço junto à caixa dágua no terreno atrás do prédio da Padaria Petrópolis. Ela é emblemática porque é a única que mostraa as 3 tias que criaram meu pai. Da esquerda para a direita: minha tia Cecília, irmã de meu pai,
Ana, Maria a "tia do dinheiro" (sentada), (uma que não sei), meu pai e Teresia.



Maria Klinkhammer, a "tia do dinheiro", no sítio em
Pedra de Guaratiba, creio que no final dos anos 1940.

Só por volta de 1945 é que Joaquim foi rever o pai e os irmãos em Blumenau. Por lá ficou 6 meses, mas a vida no campo não o convenceu a ficar. A foto abaixo é desse período.


Em Blumenau, anos 40, a família de meu avô Augusto (no centro, sentado), filho de August.
Meu pai está na última fileira, é o 3º homem da direita para a esquerda.


No mesmo dia, só com os filhos e a irmã. Em pé, da esquerda para a direita: os irmãos Joaquim, José, Luiz, João, Cecília, maria e Pedro. Sentados: meu avô Augusto e a irmã, Maria, chamada de "Tante", creio eu que signifique "tia" em alemão.
Provavelmente em data de aniversário de meu avô. Ausentes Ana e Augusto que estavam em Petrópolis.


Minha ligação com Itaipava e Bonsucesso vem de pai para filho. No início dos anos 1940 meu pai frequentava a Granja Brasil, de propriedade do Dr. Armênio da Rocha Miranda e da qual era administrador meu tio Félix, casado com Maria Luiza, tia de meu pai. Ali passei muitos domingos até perto dos 12 anos, quando meu tio faleceu e minha tia foi morar no Rio com a família Rocha Miranda.

Joaquim à beira do lago (que não existe mais) da Granja Brasil. 
Ao fundo a casa principal que hoje abriga um restaurante.
Atrás de quem tirou a foto, está a casa do administrador (onde meus tios moravam),
e onde hoje (2012) é o restaurante Deck. 

Joaquim e Neuza em 1948 na Granja Brasil.


Joaquim, o Quimquim, ou Quinca, aos 25 anos.



Do alto do morro, vista da Granja Brasil, década de 1940.

Maria, viúva, assume a condução da Padaria e Confeitaria Petrópolis e vai buscar na Alemanha, Henrique Willensem, um profissional mestre confeiteiro.
Carnaval de 1948 no Coral Concórdia, o clube preferido dos descendentes alemães.
O mestre confeiteiro Henrique Willemsen joga confete na sua esposa Maria.

Dia 4 de maio de 1948 - Joaquim e Neuza na foto oficial feita no estúdio do Arpad.
Meu pai se torna sócio da Padaria e traz 3 irmãos para trabalhar com ele: Augusto, Cecília e Ana (Anita).

As irmãs de meu pai: Maria, Cecília e Ana.


A história familiar é contada a partir do sobrenome do homem, mas somos metade pai e metade mãe. A miha outra metade tem Guttmann do meu avô e Oliveira da minha avó.

Meu bisavô, pai de minha avó Josephina.
 

Familiares de minha vó materna.
Minha vó materna, Josephina, em foto do estúdio HEES, provavelmente aos 18 anos, início dos anos 1920.

Josephina creio que em 1926 ou 27, já casada.


José Guttmann, meu avô.

Neuza Guttman, minha mãe, próxima de completar 3 anos (nasceu em 2 de janeiro de 1927). 

Na época, ao terminar o primário, a menina já tinha cumprido sua educação. Era hora de abandonar a escola, as habilidades e os sonhos, e aprender costura, o que toda menina prendada sabia fazer.


A casa desenhada por mminha mãe aos 12 anos.


Da esquerda para a diretia: meu avô, José, minha avó, Josephina, minha mãe Neuza e uma amiga. Meu lado... bem você saber de onde vem olhando para a pose de meu avô!!!
Da direita para a esquerda: meu avô José, minha avó Josephina
e um amigo em frente à nossa casa na Cardoso Fontes, 53.
Meu avô, já doente, faleceu poucos meses depois (1965).

Barbearia no final do século XIX.
Barbearia no final do século XIX.



Confecção, final do séc. XIX.

Consuiltório Dentário, final do séc. XIX.

Consutório Médico, final do séc. XIX.

Região da Duas Pontes, final sé. XIX.
Duas Pontes, meados do séc. XX. A casa existe até hoje (2012).

Hospital Santa Tereza em 1887.



A estrada de ferro Mauá-Petrópolis foi a primeira ferrovia construída no Brasil e foi inaugurada em 1854, mas a subida da serra só foi feita em meados dos anos 1880. Esta foto deve ser desta época.




























Video (muito bem feito) para divulgar a cidade como destino turístico


Mais sobre a história de Petrópolis nestes links:


Um blog que se propõe a estimular a organização de um acervo de fotos da cidade

Um pouco da história de Itaipava


Um comentário:

  1. Adorei, todos deveriam reverenciar seus antepassados, parabéns!

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